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	<title>Arquivo de Geografia e Linguagens - Pangeia</title>
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	<title>Arquivo de Geografia e Linguagens - Pangeia</title>
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		<title>O mundo visto por meio dos desenhos ilustrativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 16:57:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia e Linguagens]]></category>
		<category><![CDATA[Paisagens]]></category>
		<category><![CDATA[Representação espacial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde muito cedo, o ser humano faz uso dos desenhos para se divertir, como forma de expressão artística, trabalho, e meio de informação sobre uma grande variedade de temas. Tente se lembrar dos primeiros desenhos que você realizou em sua vida. É provável que recorde de casas, árvores, montanhas, bonecos dos pais, irmãos e amigos&#8230; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-1.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="582" height="397" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-1.png" alt="" class="wp-image-2656" style="aspect-ratio:1.4659949622166246;width:593px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Desde muito cedo, o ser humano faz uso dos desenhos para se divertir, como forma de expressão artística, trabalho, e meio de informação sobre uma grande variedade de temas. Tente se lembrar dos primeiros desenhos que você realizou em sua vida. É provável que recorde de casas, árvores, montanhas, bonecos dos pais, irmãos e amigos&#8230; e para que pudesse representá-los foi necessário utilizar materiais como tinta, lápis, carvão, giz; atualmente, as crianças já dispõem do mouse e canetas digitais, mas a ludicidade desse recurso gráfico-visual continua viva!</p>



<p>Há registros de desenhos desde a pré-história! As cavernas de Altamira, em Santillana del Mar, próximas a Bilbao, na Espanha; e os grandes paredões de rocha no Parque Nacional da Serra da Capivara em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, são exemplos de pinturas conhecidas como arte rupestre, criadas entre seis e 14 mil anos atrás, e representam mensagens, desejos e necessidades do cotidiano daquelas pessoas.&nbsp;</p>



<p>De lá para cá, o desenho evolui em seus traços e propósitos, sendo utilizado em diversos campos do conhecimento humano: arte, geometria, engenharia, topografia, arquitetura, jornalismo, publicidade, entretenimento (quadrinhos, desenhos animados), ensino, entre outros. Na educação, utiliza-se o desenho ilustrativo, mais precisamente, a ilustração científico-didática, que se caracteriza por representações gráficas que possuem fins práticos, ou seja, precisa ser utilitária, tendo a obrigação de comunicar de maneira clara a informação ao seu usuário potencial, ou seja, deve ser eficaz, não permitindo ambiguidades na transmissão da informação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Derrubada-de-uma-Floresta_-Rugendas-1827.png"><img decoding="async" width="472" height="401" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Derrubada-de-uma-Floresta_-Rugendas-1827.png" alt="" class="wp-image-2660" style="aspect-ratio:1.1770573566084788;width:455px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Derrubada de uma Floresta, 1835. Johann Moritz Rugendas. Pinacoteca do Estado de São Paulo.</em></figcaption></figure></div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-Rugendas-1.png"><img decoding="async" width="497" height="342" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-Rugendas-1.png" alt="" class="wp-image-2668" style="aspect-ratio:1.4532163742690059;width:563px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Lagoa das Tretas, 1835. Johann Moritz Rugendas. Coleção Brasiliana Itaú.</em></figcaption></figure></div>


<p>É comum encontrar esses tipos de ilustração em revistas e livros relacionados, por exemplo, as áreas da botânica, astronomia, biologia, medicina, paleontologia, história e geografia.&nbsp;Ao contrário&nbsp;do desenho artístico, que é uma expressão livre, a ilustração possui uma função objetiva de comunicação, trazendo consigo uma relação de dependência mútua entre o texto e a imagem e vice-versa. Caracteriza-se ainda, como um desenho de síntese, e por isso, torna-se um importante recurso para se compreender e explicar conceitos, processos e/ou fenômenos de maneira simplificada e funcional.</p>



<p>No século XIX, a ilustração foi essencial para o desenvolvimento da Geografia Moderna. As expedições&nbsp;artístico-científicas europeias realizadas por viajantes naturalistas para a América, possibilitou a produção de um&nbsp;imenso e minucioso inventário da região com&nbsp;desenhos ilustrativos das formas do relevo e a hidrografia, espécies da fauna e flora, vida social, das etnias e dos costumes do novo continente. Entre os cientistas-ilustradores que desembarcaram no Brasil, dois nomes merecem destaque: o alemão Johann Moritz Rugendas&nbsp;e o francês Jean-Baptiste Debret. Ambos foram&nbsp;diretamente influenciados pelo cientista viajante Alexander von Humboldt, um dos pais da Geografia moderna. Aliás, durante as expedições, a presença de um desenhista na tripulação era indispensável, pois os olhos dos artistas viajantes registravam a paisagem dos lugares visitados. Cada trabalho realizado era uma manifestação artística e, ao mesmo tempo, uma obra criada com o propósito de deixar uma documentação histórico-cultural para a posteridade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-5-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="598" height="314" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-5-1.png" alt="" class="wp-image-2669" style="aspect-ratio:1.9044585987261147;width:639px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Além dos registros da paisagem, a geografia ainda utiliza outras técnicas de desenho que proporcionam ilustrações esquemáticas. E nesse caso, citam-se o bloco-diagrama e o perfil. O bloco-diagrama é uma representação em perspectiva de uma parte da crosta terrestre, na qual se pode observar ao mesmo tempo a topografia e as camadas geológicas; enquanto o perfil é uma representação em forma de gráfico de um corte do terreno, apresentando duas escalas: vertical, que representa a maior ou menor ocorrência do elemento descrito (por ex.: relevo, vegetação, áreas de calor, potencial hídrico); e horizontal, que representa o tamanho da distância do terreno representado.</p>



<p>A sociedade contemporânea, mais do que em qualquer outro momento histórico, utiliza exponencialmente as mais variadas imagens como meio de comunicação.&nbsp;Deste modo, cabe pensar em um uso cada vez maior e melhor das ilustrações no campo da educação, inclusive da Geografia; tanto na divulgação dos conhecimentos científicos, quanto em sua utilização pelos professores em sala de aula.</p>



<p></p>



<ul>
<li><strong>Leituras sugeridas</strong></li>
</ul>



<p>SILVA, Ney; VALE, Keila e FERREIRA, Ana Regina. <strong>Arte na Geografia: um ensaio teórico-conceitual</strong>. São Luís: Clube de Autores, 2002, 84 p.</p>



<p>SUETERGARAY, Dirce Maria Antunes.<strong>&nbsp;Terra: feições ilustradas</strong>. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.</p>



<p>FIORI, Sergio Ricardo e LUCENA, Rodolpho Willian Alves de. O uso da comunicação visual na Geografia: a ilustração nos ambientes escolar, acadêmico e profissional. <strong>Caminhos de Geografia</strong>, n°. 75, v. 21, p.117-136, 2020.</p>



<p></p>



<ul>
<li><strong>Sobre o autor</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p><em>Sérgio é professor do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>No romance “Gabriela”, o protagonismo de uma região</title>
		<link>https://pangeia.ufrrj.br/no-romance-gabriela-o-protagonismo-de-uma-regiao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 13:57:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia e Linguagens]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A obra “Gabriela, Cravo e Canela”&#160;foi escrita pelo romancista baiano Jorge Amado e teve sua publicação no ano de 1958. A narrativa é ambientada na década de 1920 e discorre sobre a vida da população da cidade de Ilhéus, localizada no Sul do estado da Bahia. Seu enredo relata&#160;um contexto de disputas&#160;pela modernização da cidade, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-principal-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="478" height="691" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-principal-1.png" alt="" class="wp-image-2634" style="aspect-ratio:0.6917510853835022;width:552px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Gabriela, Cravo e Canela. Editora Record, 1958.</em></figcaption></figure></div>


<p>A obra “Gabriela, Cravo e Canela”&nbsp;foi escrita pelo romancista baiano Jorge Amado e teve sua publicação no ano de 1958. A narrativa é ambientada na década de 1920 e discorre sobre a vida da população da cidade de Ilhéus, localizada no Sul do estado da Bahia. Seu enredo relata&nbsp;um contexto de disputas&nbsp;pela modernização da cidade, e explora&nbsp;os&nbsp;conflitos entre a&nbsp;tradicional&nbsp;elite regional (cacaicultores)&nbsp;e os grupos sociais emergentes (comerciantes e exportadores de cacau).</p>



<p>Jorge Amado,&nbsp;filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e&nbsp;de Eulália Leal Amado,&nbsp;nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, localizada no município de Itabuna.&nbsp;Durante seus estudos no Ginásio Ipiranga, em Salvador, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.&nbsp;Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante Comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo e foi autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Amado faleceu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001.</p>



<p>Em&nbsp;“Gabriela, Cravo e Canela”&nbsp;é possível observar que, através do avanço da produção cacaueira, Ilhéus passa a comandar a economia regional. Isso proporciona uma expansão urbana, o desenvolvimento do comércio e dos meios de transporte, além do interesse, por parte de alguns comerciantes, pela construção do porto de Ilhéus, com o objetivo de dinamizar a exportação do cacau. A obra aborda as mudanças no contexto social e econômico de uma região que,&nbsp;ao longo do tempo, passou a ser&nbsp;conhecida,&nbsp;popularmente, como a “terra do cacau”.</p>



<p>O enredo é, particularmente, centrado&nbsp;no período entre as safras de 1925 e 1926. O autor explica que se tratou de um ano marcado por acontecimentos decisivos na vida da região, como,&nbsp;por exemplo, o “caso da barra”, a luta política entre o exportador de cacau, Mundinho Falcão, e o velho cacique local, coronel Ramiro Bastos, além do julgamento do coronel Jesuíno Mendonça e a chegada do primeiro navio estrangeiro ao porto de Ilhéus, iniciando,&nbsp;assim,&nbsp;a exportação direta do cacau.</p>



<p>A importância do cacau para o funcionamento de Ilhéus fica explícita durante toda o texto. Amado inicia a narrativa descrevendo a prosperidade local, resultante da circulação do dinheiro proveniente da produção cacaueira. Em suas palavras: “A cultura do cacau dominava todo o sul do estado da Bahia, não havia lavoura mais lucrativa, as fortunas cresciam, crescia Ilhéus, capital do cacau” (AMADO, 2012, p. 20).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-2-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="611" height="363" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-2-2.png" alt="" class="wp-image-2750"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado.</em></figcaption></figure></div>


<p>Rita Santos (2017) &nbsp;explica que a região cacaueira pode ser pensada tanto em sua materialidade, isto é, através de sua construção histórica, como, também, a partir do seu simbolismo, ou seja, por meio das imagens e representações construídas sobre ela. Daí poder-se falar na região como sendo um verdadeiro <em>artefato</em>&nbsp;(HAESBAERT, 2010), dado o Sul baiano poder ser compreendido como uma realidade concreta e, ao mesmo tempo, inserir-se no campo simbólico, mítico, a partir dos significados e sentidos a ela atribuídos.&nbsp;</p>



<p>Sabemos que o&nbsp;conceito de região possui diferentes concepções, vindo a dificultar&nbsp;o estabelecimento de um sentido único para o termo.&nbsp;Entretanto, ainda que a palavra região possa ser empregada na representação de diversos fenômenos – desde a localização de um grupo social com um modo de vida próprio, até a identificação de um ambiente natural dotado de aspectos físicos únicos – existe um relativo consenso&nbsp;de que o termo “região”&nbsp;refere-se, quase sempre, à existência de uma porção do espaço (seja ele global, nacional ou local) dotada de características sociais, econômicas, políticas ou naturais únicas, distintas das demais (HAESBAERT, 2010).</p>



<p>Diante disso, pode-se afirmar que, na obra em tela,&nbsp;Jorge Amado&nbsp;descreve a região, seus habitantes e tradições de modo a revelar as características e a identidade do Sul baiano, alçando Ilhéus e seu entorno à condição de &#8220;personagens&#8221; centrais do romance. Narra-se a riqueza produzida pela economia cacaueira, seu impulso ao desenvolvimento da região, o progresso urbano de Ilhéus, mas,&nbsp;também,&nbsp;a violência, os conflitos e as lutas pelo poder local erigidas em meio à constituição de uma “civilização do cacau” (FUSER, 2021).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-3-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="890" height="1208" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-3-2.png" alt="" class="wp-image-2751" style="aspect-ratio:0.7367549668874173;width:506px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Vale ressaltar que, por ser considerada ficção, a literatura demorou um certo tempo para ser reconhecida pela ciência como um campo relevante de estudos. Contudo, cada vez mais, a Geografia tem dirigido atenção para a Literatura por sua visão sobre as regiões, paisagens e lugares, importantes conceitos para essa disciplina. Cabe salientar que a própria obra literária é resultado de processos geográficos, sociais, históricos, políticos, econômicos e culturais. Por isso, faz-se pertinente para a ciência se valer da interdisciplinaridade e de outras formas de linguagem e conhecimento para a obtenção de uma compreensão mais ampla, lúdica e crítica da realidade.</p>



<p>A Literatura&nbsp;do sul baiano, também conhecida como <em>Literatura</em><em>&nbsp;Grapiúna</em>,&nbsp;pode ser considerada um documento que expressa simbolicamente uma realidade social e uma época, pois articula ficção e contexto histórico em seus textos.&nbsp;Essa Literatura evidencia práticas sociais consideradas particulares, e tem&nbsp;como objetivo revelar&nbsp;a coesão política, econômica e cultural que contribuiu para a construção&nbsp;e&nbsp;existência de uma “civilização do cacau”. Seus textos são fundamentais para a compreensão do olhar que se teve&nbsp;e ainda se tem sobre o Sul baiano, bem como foi&nbsp;essencial para a formação da imagem que a sociedade cacaueira fez de si mesma.&nbsp;Ainda, tornou-se importante propaganda dessa região, tendo&nbsp;contribuído para a construção de uma imagem mística&nbsp;que, ainda hoje permeia o imaginário popular&nbsp;(brasileiro e mundial) sobre o Sul baiano.&nbsp;</p>



<p>Ademais, deve-se destacar que a aproximação entre Ciência e Literatura, através da análise de obras literárias, contribui para o enriquecimento e a melhor compreensão de temas, conceitos e problemas abordados sistematicamente pela Geografia e disciplinas afins. Ao constituir-se em um texto que, frequentemente, apresenta uma linguagem simples, acessível a um público maior, as obras literárias podem ser vistas como fontes de informação, no mínimo, muito agradáveis aos leitores. Por apresentar tal característica e, por vezes, cativar o leitor através das tramas e enredos ficcionais, esses textos acabam então constituindo-se em um instrumento valioso para a imersão em realidades e problemas que, não raramente, apresentam-se como sendo de difícil alcance para muitas pessoas, mas cuja a obra ficcional, a seu modo, trata de aproxima-los dos leitores.</p>



<ul>
<li><strong>Referências</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p>AMADO, Jorge. <strong>Gabriela, Cravo e Canela: crônica de uma cidade do interior</strong>. 2° ed. São Paulo: Companhia das Letras,2012.</p>



<p>ARAÚJO, Bruna E.F.de A. <strong>Região e Regionalismo na obra “Gabriela, Cravo e Canela” de Jorge Amado. </strong>2022. Monografia (Licenciatura Plena em Geografia) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro &#8211; Instituto Multidisciplinar (UFRRJ- IM), Nova Iguaçu/RJ, 2022.</p>



<p>FUSER, Lucivânia Nascimento dos Santos. Marxismo e nacionalismo na obra de Jorge Amado sobre a região cacaueira. <strong>Revista Espaço Acadêmico</strong>, Paraná, n.229, p. 198-209, jul./ago.2021.<strong></strong></p>



<p>HAESBAERT, Rogério. <strong>Regional-global: Dilemas da Região e Regionalização na Geografia contemporânea</strong>.&nbsp;Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.</p>



<p>SANTOS, Rita de Cássia Evangelista dos. <strong>A região cacaueira da Bahia em Jorge Amado</strong>: memória, imaginação e identidade pelo prisma da geoliteratura. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Universidade Federal de Goiás. Goiânia, p.158.2017.</p>



<p>ROCHA, Lurdes Bertol. <strong>A Região Cacaueira da Bahia: uma abordagem fenomenológica</strong>. 2006. 290 p. Tese (Doutorado em geografia) – Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, 2006.</p>



<ul>
<li><strong>Sobre a autora</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p><em>Bruna é graduada em Geografia pelo Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>As verdades (e mentiras) dos mapas</title>
		<link>https://pangeia.ufrrj.br/as-verdades-e-mentiras-dos-mapas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 17:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia e Linguagens]]></category>
		<category><![CDATA[Cartografia]]></category>
		<category><![CDATA[Representação espacial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mapa apresenta-se como um instrumento narrativo de uma dada realidade espacial. Entretanto, a complexidade infinita do real &#8211; o mistério da realidade &#8211; extrapola todas as possibilidades narrativas. Assim sendo, das múltiplas lentes ou perspectivas existentes &#8211; todas elas voltadas para a análise e o entendimento do real &#8211; a Cartografia e os seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Principal-1-Planisferio-Mercator.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1400" height="777" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Principal-1-Planisferio-Mercator.jpg" alt="" class="wp-image-1994" style="aspect-ratio:1.8018018018018018;width:777px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;<em>Projeção original de Mercator, 1587</em>&#8220;. Fonte: IBGE &#8211; Atlas Escolar.</figcaption></figure></div>


<p>O mapa apresenta-se como um instrumento narrativo de uma dada realidade espacial. Entretanto, a complexidade infinita do real &#8211; o mistério da realidade &#8211; extrapola todas as possibilidades narrativas. Assim sendo, das múltiplas lentes ou perspectivas existentes &#8211; todas elas voltadas para a análise e o entendimento do real &#8211; a Cartografia e os seus mapas <em>manifestam-se apenas como um ponto de vista</em>, ou seja, uma forma singular de expressão cujo objetivo primordial concentra-se na promessa de tornar inteligível, através de representações gráficas, as espacialidades de um segmento do mundo concreto. Desse modo, devemos enfatizar que somente (e justamente) no cruzamento entre as várias imaginações ou vieses narrativos &#8211; do qual o mapa é somente um prisma simplificado &#8211; é que se revela o perfil da realidade investigada.</p>



<p>A inclinação da vontade humana no que se refere à elaboração de modelos ambientais &#8211; como capacidade de se tentar perceber imaginativamente a realidade &#8211; não é algo novo. As primeiras representações concretas do ambiente, projetadas nas superfícies das cavernas europeias, através de pintura ou arte rupestre, datam de algo em torno dos 50.000 anos e tinham como intuito registrar a percepção do espaço circundante para além da imprecisa memória (ou para além dos nossos imprecisos e voláteis mapas mentais). Tal noção embrionária de projeção permanece viva através da história da Cartografia, transformando-se em atributo irrefutável nas representações terrestres. A projeção cartográfica de Mercator, elaborada no século XVI e ainda considerada a mais emblemática, simbólica e icônica das projeções, vem consolidando uma visão de mundo peculiar no ideário do senso comum através dos séculos. A título de definição, as projeções cartográficas são entendidas como formas ou técnicas de se representar a superfície terrestre esférica de três dimensões (3D) em mapas planificados de duas dimensões (2D). Vale ressaltar, contudo, que toda e qualquer projeção traz consigo uma série de deformações ou um conjunto de ‘mentiras geográficas’.</p>


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<figure class="alignright size-large is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-2170" style="aspect-ratio:1;width:560px;height:auto" srcset="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-1024x1024.jpg 1024w, https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-300x300.jpg 300w, https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-150x150.jpg 150w, https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Secundaria-2-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>&#8220;Projeção equidistante com o Brasil no centro do mundo&#8221;</em>. Fonte: USP (1949).</figcaption></figure></div>


<p>Atrelada à projeção e gravação da percepção do ambiente adjacente nas superfícies rochosas das cavernas, surge a noção de escala de redução. Intrínseco a toda forma de representação espacial, e que jamais pode ser negligenciada, a escala de representação em Cartografia diz respeito às correlações existentes entre as dimensões gráficas (do modelo ou mapa) e as dimensões naturais (do objeto real). Isto posto, deve-se pontuar que aquele que elabora um documento cartográfico encontra-se inteiramente submetido a um sistema de proporções, ou seja, a uma redução invariável do mundo vivido &#8211; em uma certa quantidade de vezes &#8211; para que a realidade investigada seja reproduzida numa folha de papel ou qualquer outra superfície de projeção.</p>



<p>Outro elemento essencial pertinente ao campo do conhecimento cartográfico refere-se à adoção de um sistema de coordenadas por parte daquele que produz um mapa. Um objeto presente no mundo vivido palpável, ao ser capturado e esquematizado através das técnicas do desenho cartográfico, deve ser vinculado a uma rede de referências, cujo propósito gira em torno da localização precisa do tal elemento, bem como no que concerne à delimitação de suas dimensões físicas.</p>



<p>Os múltiplos itens da realidade presentes numa fração do espaço, quando submetidos ao processo de modelagem ambiental (processo de mapeamento), passam invariavelmente por uma série de seleções subjetivas. O <em>map maker</em>&nbsp;simplifica o mundo real na tentativa de torná-lo imaginável e compreensível para um conjunto de pessoas que provavelmente encontra-se afastado daquela dada realidade. Vale salientar que o sujeito que faz a leitura de um determinado mapa, simplesmente se apropria de uma imagem de mundo fixa, congelada e pré-estabelecida por um cartógrafo específico (indivíduo com as suas singularidades, imerso em crenças, preconceitos, história de vida, etc.), deslocando-se excessivamente da apreciação do verdadeiro real.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-secundaria-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="847" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-secundaria-4.jpg" alt="" class="wp-image-2179" style="aspect-ratio:0.9445100354191264;width:336px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Obra &#8220;El norte es el sur&#8221;</em>. Autor: Joaquim Garcia (1935).</figcaption></figure></div>


<p>Portanto, cada mapa possui a sua própria história, bem como expressa uma narrativa singular, assim como oculta seus próprios segredos. O mapa possui uma aura de confiabilidade que devemos sempre desconfiar, além de apresenta-se tal qual um mensageiro de verdades ordenadas e objetivas que devemos também sempre duvidar. Entretanto, mergulhemos sob sua superfície e uma história muito diferente emergirá. Mapas fascinam, provocam, perturbam, debocham e, sobretudo, revelam as sinceridades mais profundas não apenas de onde viemos &#8211; mas sobre quem realmente somos.</p>



<p></p>



<p></p>



<ul>
<li><strong>Referências</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p>HARLEY, J. B.; WOODWARD, D. (org.). <strong>The history of cartography</strong>: cartography in Prehistoric, Ancient and Medieval Europe and the Mediterranean. Vol. 1. Chicago: University of Chicago Press, 1987.</p>



<p>THE BEAUTY OF MAPS. Direção de Steven Clarke. United Kingdom: BBC, 2010. (4 episódios).</p>



<ul>
<li><strong>Sobre o autor</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p><em>Gustavo é Professor do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>
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		<title>A linguagem das quebradas!</title>
		<link>https://pangeia.ufrrj.br/a-linguagem-das-quebradas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 12:38:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia e Linguagens]]></category>
		<category><![CDATA[Periferias]]></category>
		<category><![CDATA[Preconceito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“E aí, mano. Se liga nas ideia e deixa de ser vacilão. Depois dos corre, vamo bater um rango e chapar o coco? Mas nessa você me cobre, porque hoje tô quebrado!”. (&#8230;) “Aí! Os alemão vieram do asfalto, entraram na comunidade, pegaram o arrego e ainda deram esculacho! Geral ficou bolada”. (&#8230;) “Oxe, não [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right">“<em>E aí, mano. Se liga nas ideia e deixa de ser vacilão. Depois dos corre, vamo bater um rango e chapar o coco? Mas nessa você me cobre, porque hoje tô quebrado!”.</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>(&#8230;)</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Aí! Os alemão vieram do asfalto, entraram na comunidade, pegaram o arrego e ainda deram esculacho! Geral ficou bolada”.</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>(&#8230;)</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Oxe, não me arrete, não, vu? Bora que depois do baba eu vô me picar pra quebradeira e comer água dura!”.</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>(&#8230;)</em><em></em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>(Frases, expressões e gírias faladas em periferias de grandes cidades brasileiras. <em>Saberia dizer de onde são?)</em> </em></p>



<p class="has-text-align-right"></p>



<p class="has-text-align-right has-white-color has-text-color">.</p>



<p></p>



<p>A forma de se expressar verbalmente, ou seja, de falar, pode ou não dizer muito sobre uma pessoa: Quem ela é? O que profissionalmente ela faz? De onde ela vem? De modo geral, pode-se dizer que a&nbsp;língua permite que pessoas, mesmo que estranhas umas às outras, conheçam-se, troquem informações, relacionem-se. Assim, a forma de se comunicar cumpre&nbsp;um papel fundamental na construção da vida em sociedade, qualquer que seja o lugar, permitindo que conhecimentos, ideias e todo tipo de trocas culturais e simbólicas possam ocorrer.</p>



<p>Entretanto, apenas a necessidade de as pessoas falarem um mesmo idioma (como o português, inglês, espanhol, ou o mandarim, por exemplo) não é o suficiente para que a comunicação entre elas ocorra plenamente, sem entraves. A língua é uma construção social e dinâmica, transforma-se ao longo do tempo e submete-se a variações, segundo os lugares, a idade das pessoas e sua condição social. Afinal, caro leitor, quantas vezes já se deparou com palavras novas, gírias, ou expressões que, mesmo sendo ditas em português, não faziam sentido algum para você?</p>



<p>No mundo atual, marcado por intensas inovações tecnológicas, rápida circulação de informações e contato constante com idiomas estrangeiros (sobretudo o inglês), tornou-se comum nos depararmos com expressões e palavras desconhecidas, que precisam de “tradução”, pois, a princípio, para nós não fazem muito sentido, ainda que, posteriormente, sejam incorporadas e repetidas em nossas falas cotidianas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/image.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="400" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/image.png" alt="" class="wp-image-1926" style="aspect-ratio:1.5;width:748px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Os lugares, isto é, os diferentes contextos socioterritoriais são realidades privilegiadas para observarmos as criações e mudanças nas formas de falar e se expressar. Eles são responsáveis por produzir suas próprias “versões” do idioma falado em um país. A partir da maneira como alguém verbalmente se expressa, entoa as palavras e apresenta seu vocabulário é comum que se remeta à origem dessa pessoa: o lugar onde vive, a classe social a qual pertence, a cultura que lhe identifica.</p>



<p>Certamente, a língua é um elemento fundamental da construção e definição da identidade (social, cultural e territorial) de um grupo, e os lugares são espaços de mudança, adaptação e criação de palavras e de formas de falar. Assim, não raramente, é somente nesses contextos, e no interior de determinados grupos sociais, que certas palavras, expressões, gírias e seus particulares significados assumem sentido; sentidos atribuídos pelo lugar e pelas pessoas que nele vivem.</p>



<p>Entretanto, muitas dessas formas de falar e se expressar produzidas em regiões ou&nbsp;lugares específicos, tais como favelas, subúrbios e periferias urbanas, não são bem aceitas por parcela considerável da sociedade. Estigmatizadas, as “linguagens das periferias”, com suas palavras novas, gírias e expressões originais, são objetos constantes de discriminação, sendo com recorrência alvos de uma forma específica de preconceito: o <em>preconceito linguístico</em>.</p>



<p>Esse tipo de preconceito se define como um processo de desqualificação de um indivíduo ou grupo social em razão da forma como falam ou se expressam, formas essas consideradas incorretas ou inapropriadas, pois frequentemente apresentam-se em desconformidade com a chamada “norma padrão” da língua oficial do país.</p>



<p>Tal maneira de desqualificação de um grupo social em função da forma como este se expressa, constitui-se também em uma maneira de inferiorizá-lo, produzindo ou perpetuando uma hierarquização social na qual quem deve ser ouvido e merece atenção são apenas aqueles que falam “corretamente”, isto é, que são capazes de seguir um padrão específico de gramática e linguística formalmente estabelecidos.</p>



<p>Essa postura discriminatória desconsidera o próprio caráter histórico e geograficamente dinâmico e flexível da língua, além ainda de não se atentar ao papel que as desigualdades sociais exercem no acesso à educação escolar e ao letramento em nosso país. Ademais, cabe questionar: se aquele que fala é compreendido por quem escuta, isso não significa que a língua, com todas as suas adaptações, novidades e transformações cumpriu com o papel que dela se espera, isto é, possibilitou a comunicação e as trocas entre as pessoas? </p>



<p></p>



<ul>
<li><strong>Leituras sugeridas</strong></li>
</ul>



<p>BAGNO, Marcos.&nbsp;<strong>Preconceito lingüístico</strong>:&nbsp;o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 2002.</p>



<ul>
<li><strong>Sobre o(s) autor(es)</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p><em>Ítalo é graduando em Pedagogia pelo Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, enquanto Francisco é Professor do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>
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