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	<title>Arquivo de Geologia - Pangeia</title>
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	<title>Arquivo de Geologia - Pangeia</title>
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		<title>Antropoceno: o planeta em rota de mudança?</title>
		<link>https://pangeia.ufrrj.br/antropoceno-o-planeta-em-rota-de-mudanca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 17:59:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades e Cotidianidades]]></category>
		<category><![CDATA[Crise ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de canonizado no âmbito das geociências e de outros campos do conhecimento científico, o Antropoceno,&#160;enquanto época geológica,&#160;não foi aclamado por maioria de votos para compor oficialmente o topo da coluna estratigráfica,&#160;acima do Holoceno, permanecendo como unidade informal aos olhos dos critérios bem marcados da Geologia, que procura nuclear um debate que há muito transbordou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Principal-3.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="854" height="1000" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Principal-3.png" alt="" class="wp-image-2695" style="aspect-ratio:0.854;width:594px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Apesar de canonizado no âmbito das geociências e de outros campos do conhecimento científico, o Antropoceno,&nbsp;enquanto época geológica,&nbsp;não foi aclamado por maioria de votos para compor oficialmente o topo da coluna estratigráfica,&nbsp;acima do Holoceno, permanecendo como unidade informal aos olhos dos critérios bem marcados da Geologia, que procura nuclear um debate que há muito transbordou o escopo puramente geocientífico e passou a permear as mais diferentes áreas do conhecimento.</p>



<p>O Antropoceno não figura meramente como um acumulado de ações humanas sobre o sistema Terra, mas projeta-se como uma emergência, uma franca mudança do estado dinâmico-funcional global vigente durante o Holoceno,&nbsp;determinado pela capacidade humana em alterar processos geológicos e climáticos em macroescala. Admitir o Antropoceno, portanto, implica pensar em evolução, em internalizar a perspectiva hegeliana de transformação qualitativa, transposta no plano material por Marx e Engels pela Lei da Transformação da Quantidade em Qualidade. A transformação qualitativa implica em mudança de estado, uma substituição de processos dinâmicos reversíveis que vigiam no estado anterior por processos dinâmicos,&nbsp;distintos,&nbsp;inerentes ao estado emergente, assumindo assim uma natureza irreversível.</p>



<p>Defender a legitimidade do Antropoceno demanda pensar em irreversibilidade, e carece, portanto, de um substrato argumentativo proficiente o suficiente para embasar tais transformações qualitativas e irreversíveis, quais sejam: incremento de matéria e energia oriundas de atividades humanas acumuláveis em registros estratigráficos globalmente relacionáveis; carbonização da atmosfera com viés de aquecimento climático e progressiva reorganização na circulação geral da atmosfera; modificação na assinatura geoquímica dos solos e das águas pela mudança no ciclo de elementos como fósforo, nitrogênio e urânio devido às práticas monocultoras e de geração de energia; simplificação extensiva de paisagens determinada por práticas econômicas agroexportadoras e substituição progressiva dos biomas originais pelos chamados antromas; perda de funcionalidades ecossistêmicas e efeitos deletérios na biota animal e vegetal, cujo prognóstico é a formação de uma neobiota antropocênica, entre outros efeitos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-large is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-1-2.png"><img decoding="async" width="1024" height="853" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-1-2-1024x853.png" alt="" class="wp-image-2696" style="aspect-ratio:1.2004689331770222;width:502px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>A abstração de uma esfera humana envolvendo as esferas naturais que formam o invólucro terrestre remetem ao século dezenove, tendo como referência a obra <em>Man and Nature or physichal geography as modified by human action</em>&nbsp;de Georges P. Marsh (1801-1882), publicada no ano de 1864. Várias proposições sucederam esta importante obra versando ao redor da esfera humana, culminando com a poderosa noção de noosfera e que tem sido creditada ao geólogo e jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), ao matemático e filósofo francês Édouard Le Roy (1870-1954) e ao geoquímico russo Vladimir Vernadsky (1863-1945). Entre os três cientistas citados, Vernadsky foi quem aproximou a noção de noosfera mais contundentemente às relações sistêmicas que vigem no sistema Terra, contextualizando seu surgimento na medida em que a consciência humana se projeta da biosfera, desde o primeiro despertar ainda no Paleolítico até a culminância da Idade Atômica.</p>



<p>Vernadsky concebeu a noosfera olhando para o futuro a partir de seu tempo, defendendo a aproximação, a partir de meados do século vinte, de um estado regido pelos ritmos e intencionalidades humanas pelo qual a humanidade adquire uma poderosa e inexorável força,&nbsp;enquanto agente transformador de elementos da paisagem que evoluem em longo termo. Indefectivelmente, essa capacidade de transformar variáveis que evoluem no tempo mais profundo foi um critério aventado pelo insigne cientista russo e que tem servido como mote para pensar o Antropoceno na contemporaneidade, incluindo o estabelecimento de sua temporalidade. Nessa linha, os painéis que a comissão estratigráfica internacional propuseram para definir o tempo do Antropoceno convergiram em estabelece-lo a partir do pós-guerra, o chamado período das “Grandes Acelerações”, explícito no aumento exponencial de vários elementos caros para a apreensão de uma mudança de estado: expansão do contingente demográfico humano, perda de biodiversidade, acidificação de águas oceânicas e formação de zonas mortas marinhas, aumento das atividades monoculturas e dos elementos químicos utilizados como fertilizantes, incremento do urânio produzido e armazenado, ampliação dos materiais tecnogênicos nos arquivos sedimentares, aprofundamento da espoliação humana e da distinção entre Norte e Sul global orquestrada pelas lógicas capitalistas, entre outros efeitos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-large is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Secundaria-3-1.png"><img decoding="async" width="1024" height="960" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Secundaria-3-1-1024x960.png" alt="" class="wp-image-2697" style="aspect-ratio:1.0666666666666667;width:553px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>No atual estado da arte e do debate ao redor do Antropoceno, considera-lo como uma temporalidade válida apenas a partir de um registro estratigráfico, aderindo aos cânones tradicionais da Geologia Sedimentar, francamente simplifica significados mais profundos subjacentes ao Antropoceno. Não resta dúvida, as “Grandes Acelerações” correspondem de forma mais ou menos síncrona às acelerações do próprio sistema capitalista e ao aprofundamento da exploração da sua base material contida na natureza em prol da sua expansão. O tempo do Antropoceno é um tempo de transformações irreversíveis na aludida base material, mas também é um tempo da ampliação das zonas de sacrifício nos países de limitada condição material para suprir déficits de economias centrais por determinados recursos, um tempo no qual as fissuras metabólicas tem se expandido e coalescido, impondo rupturas na atmosfera, na biosfera e na hidrosfera de fio a pavio, convertendo as crises ambientais atuais em situações de franco e irreversível colapso ainda não plenamente consensuais acerca da abrangência dos seus efeitos, mas que colocam cientistas e humanistas em geral em ininterrupta belicosidade contra as denegações que infestam o debate, normalmente propaladas em alinhamento ao interesse das grandes corporações que lucram com a exploração dessa base material.</p>



<p>É preciso, portanto, aceitar o Antropoceno para que o enfrentamento político das bases hegemônicas do capitalismo não sejam inócuas. Sendo os efeitos irreversíveis, novos sistemas de compartilhamento de nichos deverão e estão emergindo e, indubitavelmente, o atual sistema de partilha dos recursos mundiais recrudescerá as condições de vida de grande parte da população mundial. Essa repactuação, certamente, não partirá de governos e seus conluios com os grandes agentes do capital, incapazes de cumprir as cláusulas de tratados e acordos ambientais dos quais são signatários, mas sim de uma ampla mobilização de forças e movimentos contra-hegemônicos capazes de pressionar governos a enfrentarem os grandes conglomerados capitalistas (dos quais muitas vezes são lacaios) e promover a verdadeira emancipação dos grupos humanos e horizontes culturais associados frente às bases naturais que habitam e que perfazem seu espaço vivido e suas relações identitárias.</p>



<ul>
<li><strong>Leituras sugeridas</strong></li>
</ul>



<p>ANGUS, I. <strong>Enfrentando o Antropoceno</strong>. São Paulo: Boitempo, 2023. 287p.</p>



<p>MARQUES, L. <strong>Capitalismo e colapso ambiental</strong>&nbsp;(2° ed.). Campinas: Editora da UNICAMP, 2016. 711p</p>



<p>ZALASIEWICZ, J.; WATERS, C. N.; WILLIANS, M.; SUMMERHAYES, C. P. (Eds.) <strong>The Anthropocene as a Geological Time Unit:</strong>&nbsp;a guide to the scientific evidence and current debate. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.</p>



<ul>
<li><strong>Sobre o autor</strong></li>
</ul>



<p><em>Roberto é professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora.</em><em></em></p>
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			</item>
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		<title>Por que os continentes se movem?</title>
		<link>https://pangeia.ufrrj.br/por-que-os-continentes-se-movem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:13:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidades e Cotidianidades]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>
		<category><![CDATA[Placas tectônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A resposta para essa pergunta é relativamente simples, mas para entender totalmente a “movimentação dos continentes” precisamos retornar aos tempos em que o Planeta Terra não era mais que uma “bola de fogo” orbitando o&#160;nosso&#160;Sol,&#160;isso&#160;logo&#160;depois que a poeira cósmica se juntou para o formar.&#160;Esse calor (energia) primordial produziu o magma, isto é, rochas fundidas em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Principal-Texto.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="590" height="319" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Imagem-Principal-Texto.png" alt="" class="wp-image-2288" style="aspect-ratio:1.8495297805642634;width:598px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>&#8220;Este Planeta dinâmico&#8221;</em>. Serviço geológico dos EUA (2006).</figcaption></figure></div>


<p>A resposta para essa pergunta é relativamente simples, mas para entender totalmente a “movimentação dos continentes” precisamos retornar aos tempos em que o Planeta Terra não era mais que uma “bola de fogo” orbitando o&nbsp;nosso&nbsp;Sol,&nbsp;isso&nbsp;logo&nbsp;depois que a poeira cósmica se juntou para o formar.&nbsp;Esse calor (energia) primordial produziu o magma, isto é, rochas fundidas em temperatura extremamente alta.</p>



<p>Alguns poucos milhões de anos se passaram até que essas rochas começassem a esfriar na superfície terrestre em contato com a atmosfera primitiva, no entanto, logo abaixo da <em>crosta</em> (a camada mais externa da Terra), o magma ainda continuou tão quente e dinâmico quanto tinha sido nos primórdios, e ainda continua até hoje. Foi então, por causa dessa diferença de temperaturas e também da diferença de composição dos elementos entre o exterior e a parte interior, que surgiu a <em>litosfera</em>, uma “capa” externa composta de magma que esfriou e se solidificou, responsável por dar origem a um mosaico de grandes placas sobre as quais habitamos, onde repousam os continentes e acomodam-se os oceanos.</p>



<p>Situada logo abaixo da litosfera está uma camada composta de material relativamente fluido e aquecido a altas temperaturas que continua ativa, movimentando-se em diferentes direções e velocidades e permitindo que a litosfera flutue sobre ela. Essa camada aquecida a elevadas temperaturas pelo calor produzido no núcleo e que mantém as rochas em estado permanentemente semi-derretido, chama-se <em>astenosfera. </em>Dentro da astenosfera ocorrem <em>correntes convectivas</em>, responsáveis pela transferência de calor das camadas inferiores da Terra para as camadas superiores. Quando o magma é aquecido, ele perde densidade, fica “mais leve” e sobe, substituindo um pedaço mais frio e mais denso na parte superior. Esse movimento funciona com um “motor”, uma “ignição” para a movimentação dos continentes, pois cria um “efeito esteira” sob a litosfera, promove rachaduras nela, contribuindo para o surgimento das <em>placas tectônicas</em>, e permitindo que elas movimentem-se em diferentes direções.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Mapa-Placas-tectonicas.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="592" height="533" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/Mapa-Placas-tectonicas.png" alt="" class="wp-image-1975" style="aspect-ratio:1.1106941838649156;width:584px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Hoje é reconhecida a existência de 17 grandes placas tectônicas, além de outras menores, as quais, juntas, formam a litosfera. A mobilidade delas é que permite observarmos o chamado “tectonismo de placas”, que promove uma “dança dos continentes” que ocorre de forma diferente em cada parte do Planeta.</p>



<p>Em certos limites entre placas tectônicas predominam <em>movimentos divergentes</em>, que nada mais são do que a movimentação de duas placas em direções opostas, situação que pode ocorrer tanto no fundo do mar (crosta oceânica), a exemplo do que ocorre na zona central do Oceano Atlântico, como também no interior de um continente (crosta continental), conforme é observado na porção leste do continente Africano. No primeiro caso, o resultado desse processo de afastamento entre placas sob o oceano é a extrusão contínua de material magmático ao ponto de formar uma espécie de “cadeia montanhosa” extensa, a qual recebe o nome de <em>Dorsal Mesoceânica</em>, ou <em>Cadeia Meso-Atlântica</em>. No entanto, quando esse afastamento entre placas tectônicas ocorre no interior de um continente, o resultado é uma “fratura” na litosfera, e a “terra abre-se“, dando origem a uma forma de relevo denominado <em>Rift.</em> </p>



<p>Neste caso, importa frisar que, se tal movimento de distensão ou extensão da crosta permanecer ao longo do tempo (por milhares ou milhões de anos), a tendência é que mais cedo ou mais tarde o mar avance sobre essa área e uma nova bacia oceânica se forme, e até que esse continente se quebre e as duas partes sejam separadas. Vale ainda acrescentar que quando essa separação ocorre no continente, a movimentação das placas pode causar terremotos e até o aparecimento de vulcões. No oceano, a ascensão e derramamento de magma advindo do <em>manto </em>causa a expansão do assoalho oceânico.</p>



<p>Por sua vez, em outras áreas do Planeta os limites entre placas tectônicas podem apresentar outros comportamentos e, ao invés de estarem se separando, as placas estão convergindo. Os<em> limites convergentes</em>, ocorrem quando duas placas estão indo de encontro uma à outra, gerando áreas que, entre outras características, são marcadas pela maior frequência e intensidade dos terremotos. Em uma zona de convergência de placas, os resultados podem ser distintos, mas quando uma das placas é mais densa (geralmente a oceânica) do que a outra, ela afunda sob a placa menos densa (geralmente a continental), caracterizando o processo de <em>subducção</em>. Quando esse “mergulho” ocorre sob o oceano, zonas que apresentam grandes profundidades são formadas, dando origem às famosas (e, porque não dizer, mitológicas) <em>fossas oceânicas</em>, zonas submarinas ainda pouco exploradas e, portanto, pouco conhecidas pelo Ser Humano em função de sua grande profundidade e seu difícil acesso, como a Fossa das Marianas, localizadas no oceano pacífico, e que chega a apresentar 11 km de profundidade!</p>



<p>Por outro lado, quando duas placas tectônicas convergem e colidem em meio ao oceano (crosta oceânica), ocorre também a formação de “arcos de ilhas” junto às fossas oceânicas, onde é comum a presença de vulcões submarinos, ilhas vulcânicas e a&nbsp;formação de arquipélagos lineares que acompanham a faixa de encontro entre as placas tectônicas, tal como é o caso do arquipélago japonês, formado entre&nbsp;as&nbsp;placas&nbsp;do&nbsp;Pacífico, Filipina e Eurasiática.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/image-14.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="604" height="257" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2023/11/image-14.png" alt="" class="wp-image-1991" style="aspect-ratio:2.350194552529183;width:635px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Ainda, em locais onde duas placas continentais colidem, o resultado pode ser a ocorrência de um grande processo de <em>dobramento </em>e <em>soerguimento </em>do relevo, isto é, a deformação e a elevação de uma grande área. Nessas regiões, além da ocorrência de grandes tremores de terra (sismos), a “deformação” da crosta terrestre leva ao surgimento de uma cadeia de montanhas. Esse fenômeno de dobramento e soerguimento é o que dá origem, por exemplo, aos famosos Alpes suíços, no continente europeu, e ao Himalaia, no continente asiático. Na América do Sul, a linear Cordilheira dos Andes resulta da colisão da Placa tectônica de Nazca com a Placa Sul-Americana, levando à formação tanto de uma fossa oceânica sob o mar, localizada relativamente próxima ao litoral, como dando origem a vulcões nesse ambiente tectônico com uma das maiores incidências de terremotos do planeta.</p>



<p>Diferentemente das situações acima descritas, existem ambientes tectônicos onde as placas continentais não se afastam e nem colidem, mas movimentam-se lateralmente, lado a lado uma da outra. Tratam-se das áreas de <em>limites conservativos (ou transformantes). </em>A Falha de Santo André, nos EUA, é um dos casos mais famosos, seja pela possibilidade de sua plena observação (é possível ver o ponto de contato das placas tectônicas à “olho nu”), seja por causa da grande <em>sismicidade </em>que causa no extremo oeste estadunidense.</p>



<p>As placas tectônicas são renovadas permanentemente, num “ciclo tectônico”. De certo modo, elas são “criadas” nas áreas de divergências de placas, como a Dorsal Meso-Atlântica, local onde o afastamento das placas permite a extrusão de magma, seu resfriamento e a formação da litosfera jovem. E são &#8220;destruídas&#8221; em zonas de convergência (como as fossas oceânicas, zonas de subducção), quando mergulham sob o manto e começam a ser fundidas aos poucos.</p>



<p>Ainda que lentamente, e nem sempre capturável a olhos nus ou pelo tempo da vida humana, as placas tectônicas (e os continentes que fazem parte delas) demonstram que se movem continuamente e, de tempos em tempos, seja através da observação atenta da paisagem (com suas cordilheiras elevadas e fossas oceânicas profundas), seja através dos terremotos (e tsunamis), a Terra nos lembra que ela é extremamente dinâmica.</p>



<p></p>



<ul>
<li><strong><strong>Leituras sugeridas</strong></strong></li>
</ul>



<p>CHRISTOPHERSON, R.&nbsp;W. <strong>Geossistemas</strong>: Uma Introdução à Geografia Física.&nbsp;Porto Alegre: Bookman Editora, 2012.</p>



<p>GROTZINGER, J.; JORDAN, T. <strong>Para Entender a Terra</strong>.&nbsp;Porto Alegre: &nbsp;Bookman Editora, 2013.</p>



<p>SIMKIN, T., TILLING, R. I., VOGT, P. R., KIRBY, S. H., KIMBERLY, P., &amp; STEWART, D. B.&nbsp;<strong>This Dynamic Planet</strong>: World Map of Volcanoes, Earthquakes, Impact Craters, and Plate&nbsp;Tectonics: US Geological Survey Geologic Investigations Map I-2800. SIPRE auger. Jon’s&nbsp;Machine Shop, v. 350, p. 99712-1007, 2006.</p>



<p>TEIXEIRA, W.; TOLEDO, M. C. M.; FAIRCHILD, T. R.; TAIOLI, F. <strong>Decifrando a terra</strong><strong>.</strong>&nbsp;São Paulo: Editora&nbsp;Oficina e Textos,&nbsp;2009.</p>



<ul>
<li><strong>Sobre o(s) autor(es)</strong> </li>
</ul>



<p><em>Luiza e João são graduandos em Geografia pelo Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, enquanto Laura é Professora d<em>o Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro</em>.</em></p>
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