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	<title>Arquivo de Literatura - Pangeia</title>
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		<title>No romance “Gabriela”, o protagonismo de uma região</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 13:57:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia e Linguagens]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Regionalismo]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-principal-1.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="478" height="691" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-principal-1.png" alt="" class="wp-image-2634" style="aspect-ratio:0.6917510853835022;width:552px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Gabriela, Cravo e Canela. Editora Record, 1958.</em></figcaption></figure></div>


<p>A obra “Gabriela, Cravo e Canela”&nbsp;foi escrita pelo romancista baiano Jorge Amado e teve sua publicação no ano de 1958. A narrativa é ambientada na década de 1920 e discorre sobre a vida da população da cidade de Ilhéus, localizada no Sul do estado da Bahia. Seu enredo relata&nbsp;um contexto de disputas&nbsp;pela modernização da cidade, e explora&nbsp;os&nbsp;conflitos entre a&nbsp;tradicional&nbsp;elite regional (cacaicultores)&nbsp;e os grupos sociais emergentes (comerciantes e exportadores de cacau).</p>



<p>Jorge Amado,&nbsp;filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e&nbsp;de Eulália Leal Amado,&nbsp;nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, localizada no município de Itabuna.&nbsp;Durante seus estudos no Ginásio Ipiranga, em Salvador, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.&nbsp;Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante Comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo e foi autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Amado faleceu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001.</p>



<p>Em&nbsp;“Gabriela, Cravo e Canela”&nbsp;é possível observar que, através do avanço da produção cacaueira, Ilhéus passa a comandar a economia regional. Isso proporciona uma expansão urbana, o desenvolvimento do comércio e dos meios de transporte, além do interesse, por parte de alguns comerciantes, pela construção do porto de Ilhéus, com o objetivo de dinamizar a exportação do cacau. A obra aborda as mudanças no contexto social e econômico de uma região que,&nbsp;ao longo do tempo, passou a ser&nbsp;conhecida,&nbsp;popularmente, como a “terra do cacau”.</p>



<p>O enredo é, particularmente, centrado&nbsp;no período entre as safras de 1925 e 1926. O autor explica que se tratou de um ano marcado por acontecimentos decisivos na vida da região, como,&nbsp;por exemplo, o “caso da barra”, a luta política entre o exportador de cacau, Mundinho Falcão, e o velho cacique local, coronel Ramiro Bastos, além do julgamento do coronel Jesuíno Mendonça e a chegada do primeiro navio estrangeiro ao porto de Ilhéus, iniciando,&nbsp;assim,&nbsp;a exportação direta do cacau.</p>



<p>A importância do cacau para o funcionamento de Ilhéus fica explícita durante toda o texto. Amado inicia a narrativa descrevendo a prosperidade local, resultante da circulação do dinheiro proveniente da produção cacaueira. Em suas palavras: “A cultura do cacau dominava todo o sul do estado da Bahia, não havia lavoura mais lucrativa, as fortunas cresciam, crescia Ilhéus, capital do cacau” (AMADO, 2012, p. 20).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-2-2.png"><img decoding="async" width="611" height="363" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-2-2.png" alt="" class="wp-image-2750"/></a><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado.</em></figcaption></figure></div>


<p>Rita Santos (2017) &nbsp;explica que a região cacaueira pode ser pensada tanto em sua materialidade, isto é, através de sua construção histórica, como, também, a partir do seu simbolismo, ou seja, por meio das imagens e representações construídas sobre ela. Daí poder-se falar na região como sendo um verdadeiro <em>artefato</em>&nbsp;(HAESBAERT, 2010), dado o Sul baiano poder ser compreendido como uma realidade concreta e, ao mesmo tempo, inserir-se no campo simbólico, mítico, a partir dos significados e sentidos a ela atribuídos.&nbsp;</p>



<p>Sabemos que o&nbsp;conceito de região possui diferentes concepções, vindo a dificultar&nbsp;o estabelecimento de um sentido único para o termo.&nbsp;Entretanto, ainda que a palavra região possa ser empregada na representação de diversos fenômenos – desde a localização de um grupo social com um modo de vida próprio, até a identificação de um ambiente natural dotado de aspectos físicos únicos – existe um relativo consenso&nbsp;de que o termo “região”&nbsp;refere-se, quase sempre, à existência de uma porção do espaço (seja ele global, nacional ou local) dotada de características sociais, econômicas, políticas ou naturais únicas, distintas das demais (HAESBAERT, 2010).</p>



<p>Diante disso, pode-se afirmar que, na obra em tela,&nbsp;Jorge Amado&nbsp;descreve a região, seus habitantes e tradições de modo a revelar as características e a identidade do Sul baiano, alçando Ilhéus e seu entorno à condição de &#8220;personagens&#8221; centrais do romance. Narra-se a riqueza produzida pela economia cacaueira, seu impulso ao desenvolvimento da região, o progresso urbano de Ilhéus, mas,&nbsp;também,&nbsp;a violência, os conflitos e as lutas pelo poder local erigidas em meio à constituição de uma “civilização do cacau” (FUSER, 2021).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><a href="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-3-2.png"><img decoding="async" width="890" height="1208" src="https://pangeia.ufrrj.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-secundaria-3-2.png" alt="" class="wp-image-2751" style="aspect-ratio:0.7367549668874173;width:506px;height:auto"/></a></figure></div>


<p>Vale ressaltar que, por ser considerada ficção, a literatura demorou um certo tempo para ser reconhecida pela ciência como um campo relevante de estudos. Contudo, cada vez mais, a Geografia tem dirigido atenção para a Literatura por sua visão sobre as regiões, paisagens e lugares, importantes conceitos para essa disciplina. Cabe salientar que a própria obra literária é resultado de processos geográficos, sociais, históricos, políticos, econômicos e culturais. Por isso, faz-se pertinente para a ciência se valer da interdisciplinaridade e de outras formas de linguagem e conhecimento para a obtenção de uma compreensão mais ampla, lúdica e crítica da realidade.</p>



<p>A Literatura&nbsp;do sul baiano, também conhecida como <em>Literatura</em><em>&nbsp;Grapiúna</em>,&nbsp;pode ser considerada um documento que expressa simbolicamente uma realidade social e uma época, pois articula ficção e contexto histórico em seus textos.&nbsp;Essa Literatura evidencia práticas sociais consideradas particulares, e tem&nbsp;como objetivo revelar&nbsp;a coesão política, econômica e cultural que contribuiu para a construção&nbsp;e&nbsp;existência de uma “civilização do cacau”. Seus textos são fundamentais para a compreensão do olhar que se teve&nbsp;e ainda se tem sobre o Sul baiano, bem como foi&nbsp;essencial para a formação da imagem que a sociedade cacaueira fez de si mesma.&nbsp;Ainda, tornou-se importante propaganda dessa região, tendo&nbsp;contribuído para a construção de uma imagem mística&nbsp;que, ainda hoje permeia o imaginário popular&nbsp;(brasileiro e mundial) sobre o Sul baiano.&nbsp;</p>



<p>Ademais, deve-se destacar que a aproximação entre Ciência e Literatura, através da análise de obras literárias, contribui para o enriquecimento e a melhor compreensão de temas, conceitos e problemas abordados sistematicamente pela Geografia e disciplinas afins. Ao constituir-se em um texto que, frequentemente, apresenta uma linguagem simples, acessível a um público maior, as obras literárias podem ser vistas como fontes de informação, no mínimo, muito agradáveis aos leitores. Por apresentar tal característica e, por vezes, cativar o leitor através das tramas e enredos ficcionais, esses textos acabam então constituindo-se em um instrumento valioso para a imersão em realidades e problemas que, não raramente, apresentam-se como sendo de difícil alcance para muitas pessoas, mas cuja a obra ficcional, a seu modo, trata de aproxima-los dos leitores.</p>



<ul>
<li><strong>Referências</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p>AMADO, Jorge. <strong>Gabriela, Cravo e Canela: crônica de uma cidade do interior</strong>. 2° ed. São Paulo: Companhia das Letras,2012.</p>



<p>ARAÚJO, Bruna E.F.de A. <strong>Região e Regionalismo na obra “Gabriela, Cravo e Canela” de Jorge Amado. </strong>2022. Monografia (Licenciatura Plena em Geografia) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro &#8211; Instituto Multidisciplinar (UFRRJ- IM), Nova Iguaçu/RJ, 2022.</p>



<p>FUSER, Lucivânia Nascimento dos Santos. Marxismo e nacionalismo na obra de Jorge Amado sobre a região cacaueira. <strong>Revista Espaço Acadêmico</strong>, Paraná, n.229, p. 198-209, jul./ago.2021.<strong></strong></p>



<p>HAESBAERT, Rogério. <strong>Regional-global: Dilemas da Região e Regionalização na Geografia contemporânea</strong>.&nbsp;Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.</p>



<p>SANTOS, Rita de Cássia Evangelista dos. <strong>A região cacaueira da Bahia em Jorge Amado</strong>: memória, imaginação e identidade pelo prisma da geoliteratura. Dissertação (Mestrado em Geografia)-Universidade Federal de Goiás. Goiânia, p.158.2017.</p>



<p>ROCHA, Lurdes Bertol. <strong>A Região Cacaueira da Bahia: uma abordagem fenomenológica</strong>. 2006. 290 p. Tese (Doutorado em geografia) – Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, 2006.</p>



<ul>
<li><strong>Sobre a autora</strong><strong></strong></li>
</ul>



<p><em>Bruna é graduada em Geografia pelo Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.</em><em></em></p>
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