Como tem se caracterizado a relação entre o homem e a natureza ao longo da história? É possível manter um crescimento econômico mundial sem fim, desprezando o fato de que os recursos naturais do planeta são limitados? Por que se pode dizer que a crise ambiental, que está no centro dos debates atuais, seria, na verdade, uma crise do próprio modelo civilizatório adotado pela maior parte da sociedade moderna? No terceiro episódio do Podcast Ecoss, o Dr. Mauro Guimarães, Professor do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, aborda essas e outras questões, além de destacar o papel central que a educação assume para se pensar outros futuros possíveis para a humanidade.
Roteiro e entrevista: João Paulo Alves e Lucas Onofre Costa.
Favela de palafitas no município de Guarujá, litoral doestado de São Paulo, Brasil.
A questão habitacional no Brasil é um desafio complexo e de longa data, com raízes históricas profundas e múltiplos atores envolvidos. Essa problemática, que abrange desde esferas governamentais até movimentos sociais e grupos de interesses privados, tem se mostrado resiliente ao longo do tempo. Um marco significativo em sua intensificação foi a promulgação da Lei de Terras de 1850 (Lei nº 601), que impulsionou a concentração fúndiária, e consolidou o debate sobre o acesso à terra como um dos maiores dilemas espaciais da população brasileira.
Embora a moradia seja amplamente reconhecida como um direito humano universal e, no Brasil, como um direito social garantido pelo Artigo 6º da Constituição Federal de 1988, sua efetivação no país enfrenta um embate direto com a lógica da propriedade privada e a ideologia do “sonho da casa própria” promovida pelo mercado imobiliário. Em grande parte, o acesso à moradia no Brasil tem sido mediado por políticas habitacionais baseadas em financiamento, as quais, não raramente, condicionam o acesso dos indivíduos e famílias à habitação às suas rendas e possibilidades de endividamento a longo prazo.
É crucial entender que a dignidade da moradia vai além da simples aquisição ou financiamento de uma casa. Pesquisas, como a de satisfação com o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) realizada pelo Ministério das Cidades (Brasil, 2014), demonstram que o conceito de moradia digna engloba a integração com o cotidiano, a mobilidade e o acesso a equipamentos e serviços públicos. Não se trata apenas da estrutura física, mas da conexão das residências com o entorno e a qualidade de vida que essa conexão proporciona. Assim, para se realizar uma leitura ampla da questão habitacional, deve-se associar o direito à moradia ao direito à cidade, ou seja, reconhecer que morar adequadamente vincula-se também as possibilidades de acesso à vida urbana (e às suas facilidades) que o local em que a moradia se situa permite.
Favela da Rocinha, Rio de Janeiro, Brasil.
As políticas habitacionais promovidas pelo Governo Federal surgiram como uma resposta social e econômica ao problema do déficit habitacional. Entre pesquisadores e gestores públicos, há um reconhecimento da necessidade de substituir imóveis precários, construir novas moradias, mitigar o ônus excessivo com o aluguel e resolver a coabitação familiar. Esses aspectos são componentes essenciais do cálculo do déficit habitacional, conceito elaborado pela Fundação João Pinheiro e que é utilizado pelo Governo Federal para a formulação de políticas públicas orientadas ao setor.
Em 2009, ano da criação do PMCMV, o déficit habitacional, isto é, o número de habitações que estimava-se ser necessário construir para atender a parcela da população que não dispunha de residência, ou que vivia em condições precárias, era de mais de 5,8 milhões de moradias. Atualmente, esse número permanece em aproximadamente 5,9 milhões, segundo dados da Fundação João Pinheiro (2025). Isso indica que, embora o PMCMV tenha desacelerado o aumento do déficit, com aproximadamente 8,4 milhões de moradias entregues entre 2009 e 2024 (Brasil, 2025), essa política não foi suficiente para sanar o problema estrutural da carência habitacional no Brasil. Para enfrentar essa questão, é imperativo frear a especulação imobiliária, reduzir o número de domicílios vazios (incluindo imóveis de temporada), resolver o problema da concentração de terras e ampliar as alternativas habitacionais para atender os diferentes estratos sociais da população brasileira.
Anos após a massificação do financiamento como principal via de acesso à moradia, o Brasil tem começado a diversificar suas políticas públicas para o setor. Embora o financiamento ainda represente a maior parcela do PMCMV, o Governo Federal tem formulado novas estratégias para alcançar a população excluída do programa devido à baixa renda que apresentam, as dificuldades de acesso ao sistema bancário de financiamento que possuem, e a parca disponibilidade de habitações de cunho social existente.
Em 2023, por exemplo, o Governo Federal lançou uma reserva obrigatória de 3% das unidades habitacionais na modalidade Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) para pessoas em situação de rua ou com trajetória de rua. Essa iniciativa, que abrangeu 38 municípios em capitais e regiões metropolitanas brasileiras, é um esforço conjunto dos Ministérios das Cidades, Direitos Humanos e Cidadania, Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A proposta vai além da simples entrega da casa, buscando associar o acesso à moradia à promoção de outros direitos básicos para essa população pobre e vulnerável.
Comunidade da Gamboa, Salvador, Bahia, Brasil.
Um exemplo recente (ano de 2024) é a “Parceria Público-Privada (PPP) Morar no Centro”, projeto implantado no Município do Recife/PE, e que conta com a participação do Governo Federal. A iniciativa visa o aluguel social de imóveis mobiliados em áreas centrais, com a assistência de serviços executados pela PPP na instalação, manutenção e operação de empreendimentos para a população de baixa renda e para o mercado popular, englobando gestão condominial, trabalho técnico, social e comunitário para o atendimento dos diferentes tipos de arranjos familiares (Prefeitura do Recife, 2025).
Essa proposta de requalificação de imóveis para locação social, sugerida pelo município, apresenta uma alternativa territorializada para repensar a implementação nacional das políticas públicas em um país de dimensões continentais. A elaboração desse projeto envolve estudos aprofundados, audiências públicas e coordenação entre múltiplos atores, refletindo uma abordagem mais abrangente para o enfrentamento da problemática da moradia.
Por fim, é válido mencionar que o presente texto se dispôs a apresentar brevemente diferentes problemáticas de acesso à moradia, refletir sobre alguns aspectos da atuação do PMCMV no país, evidenciar a capacidade de resposta do Governo Federal ao dilema do déficit e abordar a urgência de se (re)pensar as políticas habitacionais em vista da complexidade social dos arranjos familiares, desigualdades espaciais e de renda da população. Como bem se sabe, justamente por ainda haver “tanta gente sem casa e muita casa sem gente”, o problema do acesso à moradia continua reclamando uma solução adequada, digna, urgente e definitiva em nosso país.
Referências bibliográficas
BRASIL. Pesquisa de satisfação dos beneficiários do Programa Minha Casa Minha Vida. Ministério das Cidades/Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Editado por Fernando Garcia de Freitas e Érica Negreiros de Camargo – Brasília, DF: MCIDADES; SNH; SAE-PR; IPEA, 2014. 120 p.
____. Secretaria de Comunicação Social (Secom). Minha Casa, Minha Vida fecha 2024 com 1,26 milhão de unidades contratadas. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/mcmv-fecha-2024-com-1-26-milhao-de-unidades-contratadas. Publicado em: 29/01/2025.
FAGNANI, Eduardo. Política habitacional. In. GIOVANNI, Geraldo; NOGUEIRA, Marco (Orgs.). In. Dicionário de políticas públicas. São Paulo: Editora UNESP, 2015. pp. 756-761.
FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Déficit Habitacional no Brasil. Disponível: <https://fjp.mg.gov.br/deficit-habitacional-no-brasil/>. Acesso: 16 Jun. 2025.
PREFEITURA DO RECIFE. Parceria Pública-Pública (PPP) “Morar no Centro”. Disponível: <parcerias.recife.gov.br>. Acesso: 30 Abr. 2025.
SOUZA, Flávia da Silva. O aprofundamento de desigualdades no espaço do trabalhador a partir do programa “Minha Casa Minha Vida” no município de Nova Iguaçu-RJ. 2019. 145 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Agronomia/Instituto Multidisciplinar de Nova Iguaçu, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2019.
Sobre a autora
Flávia é graduada e mestra em Geografia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e doutora em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Quando olhamos para o céu e vemos as nuvens se formando, a chuva que se aproxima parece ser a mesma para todos. Ela não escolhe onde cair, quem molhar ou quem beneficiar. No alto, no processo natural de sua formação, a chuva é, de fato, “democrática”. Mas essa igualdade termina no exato momento em que as gotas tocam o chão. É aí que começam a aparecer, de forma muito clara, as marcas das desigualdades sociais e espaciais.
Esse tema, que pode parecer distante ou abstrato, está muito mais perto do nosso dia a dia do que imaginamos. Um exemplo bem didático encontra-se no filme Parasita (2019), especialmente na cena em que uma forte chuva gera impactos completamente diferentes para duas famílias. Para a família rica, que mora numa casa ampla, bem estruturada e protegida, a chuva é apenas um refresco, uma “bênção” pois traz alívio depois de dias de calor. Enquanto isso, para a família pobre, que vive em um subsolo apertado e vulnerável, essa mesma chuva se transforma em pesadelo: a casa é invadida por água suja, eles perdem o pouco que têm e precisam lidar com o caos causado pelo alagamento.
Cena do filme Parasita, direção de Bong Joon-ho, 2019.
Cenas como a retratada no filme Parasita não estão tão distantes da nossa realidade. Em diversas regiões do Brasil, as chuvas fortes têm revelado um retrato social desigual e o quanto as populações pobres tendem a ser as mais atingidas pelas consequências desses eventos climáticos.
Por exemplo, no ano de 2022, a cidade de Petrópolis, localizada no estado do Rio de Janeiro, enfrentou sua maior tragédia climática. Segundo dados da Defesa Civil de Petrópolis (Beck, 2023), mais de 4.000 mil famílias ficaram desalojadas e 241 óbitos foram registrados após um período de intensas chuvas no município. Muitas dessas mortes ocorreram em decorrência dos deslizamentos de terra no Morro da Oficina, lugar habitado predominantemente por populações de baixa renda.
De forma semelhante, em 2024, as inundações que acometeram grande parte do estado do Rio Grande do Sul deixaram várias cidades debaixo d’água e impressionaram todo o Brasil. Segundo o Observatório das Metrópoles (2024), as áreas mais afetadas pelas enchentes concentravam populações de baixa renda e, especialmente, a população negra. Esses eventos evidenciam um profundo contraste social, pois os mais atingidos são também aqueles que mais necessitam do apoio do poder público e enfrentam maiores dificuldades para depois reestabelecerem sua vida.
Esses episódios têm se tornado cada vez mais frequentes e acontecem em outras regiões e municípios brasileiros, como em Nova Iguaçu, localizado na Baixada Fluminense. Apesar de ser um fenômeno natural, a chuva acaba funcionando como uma espécie de “lupa” que escancara as desigualdades sociais e deixa evidente quem são os mais afetados pelos problemas urbanos e ambientais. E não é preciso muito esforço para perceber isso.
Transbordamento do Rio Botas, município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Foto: G1, 2022.
Dados da estação meteorológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), localizada no Colégio Estadual Mestre Hiram, no centro de Nova Iguaçu, mostram como as chuvas intensas fazem parte da rotina da cidade. Só em dezembro de 2024, por exemplo, foram registrados 148 mm de chuva em um intervalo de 4 horas, volume suficiente para gerar alagamentos, deslizamentos e uma série de problemas urbanos. Nesse mesmo dia, a Defesa Civil precisou emitir alertas, elevando o nível de risco, justamente porque eventos como esse aumentam a possibilidade de desastres ambientais.
O problema é que os impactos dessa chuva não são sentidos da mesma maneira por todos. Isso acontece por vários fatores, como o relevo, o tipo de ocupação do solo e, principalmente, a forma como a cidade se organizou ao longo do tempo. A área central de Nova Iguaçu, por exemplo, tem uma baixa declividade, ou seja, é mais plana. Isso, somado à urbanização desordenada e à impermeabilização do solo, impede a água de ser absorvida, fazendo com que o risco de alagamentos e enchentes seja maior.
De maneira geral, a urbanização brasileira é marcada por processos históricos de segregação socioespacial. É comum as pessoas de maior poder aquisitivo residirem nas áreas mais valorizadas das cidades, isto é, dotadas de toda sorte de infraestruturas, amenidades (como parques e áreas arborizadas) e menos suscetíveis a problemas ambientais, como enchentes e deslizamentos de terras. Já as populações mais pobres foram “empurradas”, ao longo do tempo, para áreas mais distantes e precárias, desprovidas de infraestruturas urbanas e, consequentemente, mais vulneráveis, muitas vezes às margens de rios, encostas ou fundos de vale. São justamente essas áreas que mais sofrem quando a chuva vem forte.
Perfil de elevação do terreno, município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Fonte: Fonte: Google Earth, 2025.
Além disso, as mudanças climáticas em curso têm agravado ainda mais essa situação. Estudos mostram que eventos extremos, como chuvas intensas e ondas de calor, estão se tornando cada vez mais frequentes e severas. E quem sente com mais força esses impactos? As populações que já vivem em situação de vulnerabilidade socioespacial. Trata-se daquele velho ciclo nada virtuoso: quem tem menos recursos e mora em locais mais precários, têm menos acesso à infraestrutura, saneamento e proteção, e por isso sofre mais.
O aumento das temperaturas, as alterações nos padrões de precipitação e a maior frequência de eventos naturais extremos não são mais previsões de um futuro distante; são agora uma realidade. E o mais preocupante é que, apesar de todas essas evidências, as políticas públicas ainda caminham de forma lenta e, muitas vezes, são ineficientes para lidar com esses desafios. As Prefeituras Municipais, que deveriam estar na linha de frente desse debate, ainda não incorporam de forma consistente a questão climática nas suas estratégias de planejamento e desenvolvimento urbano.
Diante desse cenário, surgem algumas indagações, como por exemplo: até que ponto a própria pobreza, e os processos de segregação e exclusão social e espacial, não se tornam também um fator de potencialização dos desastres ambientais? Ou ainda, até que ponto a situação de pobreza não torna essa parcela da população ainda mais suscetível aos riscos climáticos e ambientais?
A resposta, infelizmente, aparece toda vez que uma nuvem escura se forma no céu. A chuva, por si só, não escolhe onde cair, mas o chão onde ela toca está longe de ser igual para todos. E, enquanto essa realidade não mudar, continuará sendo assim: a água que refresca uns, afoga e destrói a vida de outros.
Referências
ARMOND, Núbia Beray; SANT’ANNA NETO, João Entre Eventos e Episódios: Ritmo Climático e Excepcionalidade para uma Abordagem Geográfica do Clima no Município do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Climatologia, [S. l.], v. 20, 202 Lima.1.
MARENGO, J. A.. Água e mudanças climáticas . Estudos Avançados, São Paulo, Brasil, v. 22, n. 63, p. 83–96, 2008.
MENEZES, Wallace de Araújo, 1990- A heterogeneidade e as mudanças na paisagem da bacia hidrográfica dos rios Iguaçu-Sarapuí (RJ) e seus efeitos nas inundações urbanas / Wallace de Araújo Menezes. – 2018.
PARASITA. Direção: Bong Joon-ho. Coreia do Sul: Barunson E&A, 2019. 1 filme (132 min).
SIMÕES, M. R.. A cidade estilhaçada: reestruturação econômica e emancipações municipais na Baixada Fluminense Tese de Doutorado. Niteroi, Universidade Federal Fluminense. 2006.
TUCCI, C. E. M. Águas urbanas. Estudos Avançados, São Paulo, Brasil, v. 22, n. 63, p. 97–112, 2008.
ZANGALLI JUNIOR, P. C.. (Des)articulações entre crise climática e riscos urbano ambientais. Revista Brasileira de Climatologia, [S. l.], v. 34, n. 20, p. 134–158, 2024.
Sobre as autoras
Gabrielle e Bianca são alunas do curso de mestrado em Geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Você já parou para pensar por que tantas pessoas em nosso país não têm acesso à terra, mesmo o Brasil sendo um país tão grande? A reforma agrária é um tema central para entender as desigualdades no campo e as lutas por justiça social. Neste material produzido para a seção Gotas de Conhecimento, você descobrirá o que é reforma agrária, qual é o seu objetivo e qual o papel dos movimentos sociais nessa luta por terra, dignidade e direitos. Afinal, por que a reforma agrária é ainda tão necessária?
Afinal, o que são barreiras comerciais? Quais funções desempenham? Quais são as consequências políticas, econômicas e sociais de sua implementação? Neste material produzido pela Equipe do Pangeia para a seção Gotas de Conhecimento, você verá, de maneira sintética, que a adoção dessas medidas não só afeta diretamente o comércio internacional, como também produz repercussões sobre a vida e o cotidiano das pessoas.
Nem sempre bem vistos aos olhos das pessoas comuns, que muitas vezes os desvalorizam em função de sua aparência, cheiro e solos lamacentos, os manguezais, no entanto, desempenham importantes papéis ecológicos e econômicos. Neste material produzido pela Equipe do Pangeia para a seção Gotas de Conhecimento, você conhecerá melhor as características desse ecossistema, bem como os desafios que afetam hoje a sua conservação.
Qual o clima de sua região? Como está o tempo hoje? Clima e tempo são sinônimos? Afinal, vivemos um período de mudanças climáticas em escala global? Quais seriam as evidências disso? Estamos preparados para enfrentar seus efeitos? No segundo episódio do Podcast Ecoss, a Dra. Cristiane Cardoso, Professora do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, esclarece esses assuntos e destaca a importância crescente que uma “Educação para o Risco” assume, diante da maior ocorrência dos eventos climáticos extremos.
Apesar de canonizado no âmbito das geociências e de outros campos do conhecimento científico, o Antropoceno, enquanto época geológica, não foi aclamado por maioria de votos para compor oficialmente o topo da coluna estratigráfica, acima do Holoceno, permanecendo como unidade informal aos olhos dos critérios bem marcados da Geologia, que procura nuclear um debate que há muito transbordou o escopo puramente geocientífico e passou a permear as mais diferentes áreas do conhecimento.
O Antropoceno não figura meramente como um acumulado de ações humanas sobre o sistema Terra, mas projeta-se como uma emergência, uma franca mudança do estado dinâmico-funcional global vigente durante o Holoceno, determinado pela capacidade humana em alterar processos geológicos e climáticos em macroescala. Admitir o Antropoceno, portanto, implica pensar em evolução, em internalizar a perspectiva hegeliana de transformação qualitativa, transposta no plano material por Marx e Engels pela Lei da Transformação da Quantidade em Qualidade. A transformação qualitativa implica em mudança de estado, uma substituição de processos dinâmicos reversíveis que vigiam no estado anterior por processos dinâmicos, distintos, inerentes ao estado emergente, assumindo assim uma natureza irreversível.
Defender a legitimidade do Antropoceno demanda pensar em irreversibilidade, e carece, portanto, de um substrato argumentativo proficiente o suficiente para embasar tais transformações qualitativas e irreversíveis, quais sejam: incremento de matéria e energia oriundas de atividades humanas acumuláveis em registros estratigráficos globalmente relacionáveis; carbonização da atmosfera com viés de aquecimento climático e progressiva reorganização na circulação geral da atmosfera; modificação na assinatura geoquímica dos solos e das águas pela mudança no ciclo de elementos como fósforo, nitrogênio e urânio devido às práticas monocultoras e de geração de energia; simplificação extensiva de paisagens determinada por práticas econômicas agroexportadoras e substituição progressiva dos biomas originais pelos chamados antromas; perda de funcionalidades ecossistêmicas e efeitos deletérios na biota animal e vegetal, cujo prognóstico é a formação de uma neobiota antropocênica, entre outros efeitos.
A abstração de uma esfera humana envolvendo as esferas naturais que formam o invólucro terrestre remetem ao século dezenove, tendo como referência a obra Man and Nature or physichal geography as modified by human action de Georges P. Marsh (1801-1882), publicada no ano de 1864. Várias proposições sucederam esta importante obra versando ao redor da esfera humana, culminando com a poderosa noção de noosfera e que tem sido creditada ao geólogo e jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), ao matemático e filósofo francês Édouard Le Roy (1870-1954) e ao geoquímico russo Vladimir Vernadsky (1863-1945). Entre os três cientistas citados, Vernadsky foi quem aproximou a noção de noosfera mais contundentemente às relações sistêmicas que vigem no sistema Terra, contextualizando seu surgimento na medida em que a consciência humana se projeta da biosfera, desde o primeiro despertar ainda no Paleolítico até a culminância da Idade Atômica.
Vernadsky concebeu a noosfera olhando para o futuro a partir de seu tempo, defendendo a aproximação, a partir de meados do século vinte, de um estado regido pelos ritmos e intencionalidades humanas pelo qual a humanidade adquire uma poderosa e inexorável força, enquanto agente transformador de elementos da paisagem que evoluem em longo termo. Indefectivelmente, essa capacidade de transformar variáveis que evoluem no tempo mais profundo foi um critério aventado pelo insigne cientista russo e que tem servido como mote para pensar o Antropoceno na contemporaneidade, incluindo o estabelecimento de sua temporalidade. Nessa linha, os painéis que a comissão estratigráfica internacional propuseram para definir o tempo do Antropoceno convergiram em estabelece-lo a partir do pós-guerra, o chamado período das “Grandes Acelerações”, explícito no aumento exponencial de vários elementos caros para a apreensão de uma mudança de estado: expansão do contingente demográfico humano, perda de biodiversidade, acidificação de águas oceânicas e formação de zonas mortas marinhas, aumento das atividades monoculturas e dos elementos químicos utilizados como fertilizantes, incremento do urânio produzido e armazenado, ampliação dos materiais tecnogênicos nos arquivos sedimentares, aprofundamento da espoliação humana e da distinção entre Norte e Sul global orquestrada pelas lógicas capitalistas, entre outros efeitos.
No atual estado da arte e do debate ao redor do Antropoceno, considera-lo como uma temporalidade válida apenas a partir de um registro estratigráfico, aderindo aos cânones tradicionais da Geologia Sedimentar, francamente simplifica significados mais profundos subjacentes ao Antropoceno. Não resta dúvida, as “Grandes Acelerações” correspondem de forma mais ou menos síncrona às acelerações do próprio sistema capitalista e ao aprofundamento da exploração da sua base material contida na natureza em prol da sua expansão. O tempo do Antropoceno é um tempo de transformações irreversíveis na aludida base material, mas também é um tempo da ampliação das zonas de sacrifício nos países de limitada condição material para suprir déficits de economias centrais por determinados recursos, um tempo no qual as fissuras metabólicas tem se expandido e coalescido, impondo rupturas na atmosfera, na biosfera e na hidrosfera de fio a pavio, convertendo as crises ambientais atuais em situações de franco e irreversível colapso ainda não plenamente consensuais acerca da abrangência dos seus efeitos, mas que colocam cientistas e humanistas em geral em ininterrupta belicosidade contra as denegações que infestam o debate, normalmente propaladas em alinhamento ao interesse das grandes corporações que lucram com a exploração dessa base material.
É preciso, portanto, aceitar o Antropoceno para que o enfrentamento político das bases hegemônicas do capitalismo não sejam inócuas. Sendo os efeitos irreversíveis, novos sistemas de compartilhamento de nichos deverão e estão emergindo e, indubitavelmente, o atual sistema de partilha dos recursos mundiais recrudescerá as condições de vida de grande parte da população mundial. Essa repactuação, certamente, não partirá de governos e seus conluios com os grandes agentes do capital, incapazes de cumprir as cláusulas de tratados e acordos ambientais dos quais são signatários, mas sim de uma ampla mobilização de forças e movimentos contra-hegemônicos capazes de pressionar governos a enfrentarem os grandes conglomerados capitalistas (dos quais muitas vezes são lacaios) e promover a verdadeira emancipação dos grupos humanos e horizontes culturais associados frente às bases naturais que habitam e que perfazem seu espaço vivido e suas relações identitárias.
Leituras sugeridas
ANGUS, I. Enfrentando o Antropoceno. São Paulo: Boitempo, 2023. 287p.
MARQUES, L. Capitalismo e colapso ambiental (2° ed.). Campinas: Editora da UNICAMP, 2016. 711p
ZALASIEWICZ, J.; WATERS, C. N.; WILLIANS, M.; SUMMERHAYES, C. P. (Eds.) The Anthropocene as a Geological Time Unit: a guide to the scientific evidence and current debate. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.
Sobre o autor
Roberto é professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Desde muito cedo, o ser humano faz uso dos desenhos para se divertir, como forma de expressão artística, trabalho, e meio de informação sobre uma grande variedade de temas. Tente se lembrar dos primeiros desenhos que você realizou em sua vida. É provável que recorde de casas, árvores, montanhas, bonecos dos pais, irmãos e amigos… e para que pudesse representá-los foi necessário utilizar materiais como tinta, lápis, carvão, giz; atualmente, as crianças já dispõem do mouse e canetas digitais, mas a ludicidade desse recurso gráfico-visual continua viva!
Há registros de desenhos desde a pré-história! As cavernas de Altamira, em Santillana del Mar, próximas a Bilbao, na Espanha; e os grandes paredões de rocha no Parque Nacional da Serra da Capivara em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, são exemplos de pinturas conhecidas como arte rupestre, criadas entre seis e 14 mil anos atrás, e representam mensagens, desejos e necessidades do cotidiano daquelas pessoas.
De lá para cá, o desenho evolui em seus traços e propósitos, sendo utilizado em diversos campos do conhecimento humano: arte, geometria, engenharia, topografia, arquitetura, jornalismo, publicidade, entretenimento (quadrinhos, desenhos animados), ensino, entre outros. Na educação, utiliza-se o desenho ilustrativo, mais precisamente, a ilustração científico-didática, que se caracteriza por representações gráficas que possuem fins práticos, ou seja, precisa ser utilitária, tendo a obrigação de comunicar de maneira clara a informação ao seu usuário potencial, ou seja, deve ser eficaz, não permitindo ambiguidades na transmissão da informação.
Derrubada de uma Floresta, 1835. Johann Moritz Rugendas. Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Lagoa das Tretas, 1835. Johann Moritz Rugendas. Coleção Brasiliana Itaú.
É comum encontrar esses tipos de ilustração em revistas e livros relacionados, por exemplo, as áreas da botânica, astronomia, biologia, medicina, paleontologia, história e geografia. Ao contrário do desenho artístico, que é uma expressão livre, a ilustração possui uma função objetiva de comunicação, trazendo consigo uma relação de dependência mútua entre o texto e a imagem e vice-versa. Caracteriza-se ainda, como um desenho de síntese, e por isso, torna-se um importante recurso para se compreender e explicar conceitos, processos e/ou fenômenos de maneira simplificada e funcional.
No século XIX, a ilustração foi essencial para o desenvolvimento da Geografia Moderna. As expedições artístico-científicas europeias realizadas por viajantes naturalistas para a América, possibilitou a produção de um imenso e minucioso inventário da região com desenhos ilustrativos das formas do relevo e a hidrografia, espécies da fauna e flora, vida social, das etnias e dos costumes do novo continente. Entre os cientistas-ilustradores que desembarcaram no Brasil, dois nomes merecem destaque: o alemão Johann Moritz Rugendas e o francês Jean-Baptiste Debret. Ambos foram diretamente influenciados pelo cientista viajante Alexander von Humboldt, um dos pais da Geografia moderna. Aliás, durante as expedições, a presença de um desenhista na tripulação era indispensável, pois os olhos dos artistas viajantes registravam a paisagem dos lugares visitados. Cada trabalho realizado era uma manifestação artística e, ao mesmo tempo, uma obra criada com o propósito de deixar uma documentação histórico-cultural para a posteridade.
Além dos registros da paisagem, a geografia ainda utiliza outras técnicas de desenho que proporcionam ilustrações esquemáticas. E nesse caso, citam-se o bloco-diagrama e o perfil. O bloco-diagrama é uma representação em perspectiva de uma parte da crosta terrestre, na qual se pode observar ao mesmo tempo a topografia e as camadas geológicas; enquanto o perfil é uma representação em forma de gráfico de um corte do terreno, apresentando duas escalas: vertical, que representa a maior ou menor ocorrência do elemento descrito (por ex.: relevo, vegetação, áreas de calor, potencial hídrico); e horizontal, que representa o tamanho da distância do terreno representado.
A sociedade contemporânea, mais do que em qualquer outro momento histórico, utiliza exponencialmente as mais variadas imagens como meio de comunicação. Deste modo, cabe pensar em um uso cada vez maior e melhor das ilustrações no campo da educação, inclusive da Geografia; tanto na divulgação dos conhecimentos científicos, quanto em sua utilização pelos professores em sala de aula.
Leituras sugeridas
SILVA, Ney; VALE, Keila e FERREIRA, Ana Regina. Arte na Geografia: um ensaio teórico-conceitual. São Luís: Clube de Autores, 2002, 84 p.
SUETERGARAY, Dirce Maria Antunes. Terra: feições ilustradas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.
FIORI, Sergio Ricardo e LUCENA, Rodolpho Willian Alves de. O uso da comunicação visual na Geografia: a ilustração nos ambientes escolar, acadêmico e profissional. Caminhos de Geografia, n°. 75, v. 21, p.117-136, 2020.
Sobre o autor
Sérgio é professor do Departamento de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
A presença de multinacionais em praticamente todo o mundo é um fato consolidado. Seja no que comemos, bebemos, vestimos, nos medicamos, nos locomovemos, nos entretemos e nos comunicamos, no nome daquele estádio de futebol, na conta de luz (de alguns), entre outros, lá estão elas, acompanhadas de expectativas relacionadas à geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico e social, modernização, universalização de serviços, inserção no mercado global e uma série de outros supostos benefícios.
Desde o final do século XIX, mas com maior frequência a partir da metade do século XX, estes agentes passaram a fazer parte do cotidiano de diversas pessoas e, de formas variadas, expandiram ainda mais suas ações mundo afora graças ao desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, à globalização neoliberal e a queda de regulamentações nacionais que as impediam de atuarem à vontade e explorarem recursos econômicos, humanos e naturais em diferentes países. Ao longo de todo esse período, as empresas passaram por profundas mudanças internas (organização da produção, gestão dos negócios etc.), aperfeiçoaram (em proveito próprio) suas formas de relacionamento com os países, e se transformaram em agentes fundamentais para a constituição de uma economia global.
Como a sua própria denominação sugere, tratam-se de empresas atuantes em diversas partes do mundo, mesmo que mantenham suas sedes nos seus países de origem. Em seu processo de internacionalização, atuam de forma seletiva, ou seja, escolhem os lugares que podem propiciar mais lucros, se aproveitando das diferenças e desigualdades existentes entre países. A maior ou menor disponibilidade de recursos naturais, a magnitude dos mercados consumidores, a rigidez ou fragilidades das legislações ambientais e trabalhistas, a disponibilidade e eficiência das infraestruturas já existentes, a prontidão dos Estados nacionais em atender suas demandas, são apenas alguns fatores que explicam a escolha que realizam dos países que sediarão suas atividades e serão alvo de suas estratégias de produção e exploração de mercados. Por outro lado, para os lugares que recebem estes agentes, não raramente eles passam a vê-los como o principal caminho para se modernizarem e se desenvolverem rapidamente.
Esta prontidão dos Estados nacionais para recebê-las acaba por promover um processo de corporatização de territórios, marcado por uma destinação de recursos públicos – orçamento e bens patrimoniais – para uso privilegiado de multinacionais ou grandes empresas nacionais, muitas vezes em detrimento da sociedade. Associado a isso, tem-se, por parte do poder público, a criação de normas, leis e decretos que reduzem os custos (por meio de isenções totais ou parciais de impostos e taxas) de operações e circulação de mercadorias, dinheiro ou de transações financeiras realizados pelas corporações.
Polo Industrial de Itatiaia/RJ. Depois do município se inserir na guerra dos lugares, visando atrair multinacionais de setores variados.
Ao mesmo tempo em que o poder público cria estratégias para atrair estes agentes – através da disponibilização de recursos territoriais como isenção de impostos, doação de terrenos e outras infraestruturas – as empresas apresentam demandas sobre mudanças de normas e formas que otimizem suas ações no lugar. O atendimento de tais demandas contribui para o aprofundamento do uso corporativo do território.
No Brasil, ambos os casos levaram, desde o final do século XX, à intensificação de disputas entre estados e municípios para ver quem oferece melhores condições e, assim, consegue atrair grandes empresas para seus territórios. Amplamente conhecidas como guerra fiscal, essas disputas também envolvem, não raramente, cessão de uso de áreas públicas, doação de terras, construção de trechos de rodovias etc., nos permitindo falar em uma guerra dos lugares, na qual a escolha das empresas considera um conjunto de circunstâncias vantajosas, e não somente as questões fiscais.
Apesar de não ouvirmos mais falar, com tanta frequência no noticiário, sobre tais disputas, elas ainda ocorrem (em menor intensidade do que em períodos passados) e muitas áreas industriais atualmente consolidadas, foram formadas após estados e municípios entrarem em disputas para abrigar grandes empresas, concedendo incentivos fiscais, financeiros e territoriais (que podem se somar a outras variáveis como proximidade a amplos mercados consumidores, a portos, ferrovias, etc.), que os fizeram vencer as disputas pela atração de determinadas empresas. Assim, realiza-se nesse processo o aprofundamento de uma forma de produção e organização do território que, cada vez mais, ocorre para servir e atender aos propósitos das corporações.
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda/RJ. A empresa foi privatizada no final da década de 1980 em um processo que envolveu demissões em massa, rompimento com empresas fornecedoras e compradoras e conflitos com a população local.
Ainda que se torne aceitável aos olhos da população, uma vez que é apresentado como a única forma de melhorar os índices econômicos e sociais do município, dos estados e do país, a implantação de grandes empresas nacionais e multinacionais em determinados territórios, não raramente, entra “em choque” com interesses de populações locais, que, além de verem seu modo de vida ser alterado, muitas vezes de forma drástica, também veem suas demandas específicas serem colocadas em segundo plano.
Para além dos impactos causados na vida da população, que não são apenas na geração de emprego e renda, a relação estabelecida entre o poder público e as empresas pode ser problemática. Os primeiros devem conceder e atender cada vez mais às “necessidades” de agentes externos que não têm fidelidade ao lugar, podendo mudar de localização se as condições deixarem de lhes ser vantajosas. Em outras palavras, os lugares têm que intensificar as condições que os fizeram atrair grandes empreendimentos e serem vantajosos à maior produtividade e lucratividade das empresas, em uma situação que poderíamos chamar de “extorsão contínua dos lugares” e de aprofundamento do uso corporativo do território, o que compromete recursos públicos que poderiam ter outros usos, mais alinhados às demandas da sociedade, sobretudo em um país tão desigual como o Brasil.
Além disso, e não menos importante, neste uso prioritário que as grandes empresas fazem do território e de sua influência na reorganização do espaço, há uma série de questões relacionadas à adaptação a interesses externos aos lugares, conflitos pelo uso do território, em muitos casos, ônus ambiental deixado para a sociedade, processos de reforço de diferenças e disparidades regionais, com partes do território sendo mais valorizadas do que outras. Sendo assim, evidencia-se a importância de realização e intensificação de estudos sobre o tema, buscando sempre ampliar o debate público de forma crítica, deixando claro que por trás da presença de multinacionais em nosso cotidiano, há inúmeras questões, econômicas, políticas, sociais e ambientais que, direta ou indiretamente, afetam a todos nós.
Leituras sugeridas
ALVES, Raquel M; TOLEDO, Márcio T. Densidades técnicas e normativas e o fortalecimento do uso corporativo do território no sul fluminense. Boletim Alfenense de Geografia, v. 3, n. 6, p. 58–79, 2023. DOI: 10.29327/243949.3.6-5. Acesso em: 1 maio. 2024.
IBAÑEZ, Pablo. Território e Guerra fiscal: A perversidade dos incentivos territoriais. 2006.174f. Dissertação (Mestrado em Geografia Humana) – Universidade de São Paulo (USP), São Paulo/SP. 2006.
Para ouvir: Podcast do Joio e O Trigo, Prato Cheio, episódio especial intitulado “A Cidades das Marcas” (18 de abril de 2023). Disponível no site de “O Joio e O Trigo”, no Youtube enas principais plataformas de áudio.
Sobre os autores
Raquel é mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei, e Márcio é professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de São João del-Rei.